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O preconceito embota a sensibilidade

12 de Novembro de 2010
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Qualquer pessoa, medianamente inteligente, ao meditar sobre o tema preconceito, concluirá que se trata da mais completa insanidade. Ao julgar uma pessoa por sua cor, raça, sexualidade, nível social, vida íntima, etc., você se priva de usufruir de uma infinidade de momentos prazerosos.

Um fato bobo, acontecido durante um almoço com amigos na semana passada, serve como exemplo: falávamos sobre música e, em determinado momento, comentei que considerava a Amy Winehouse a maior cantora internacional surgida nas últimas décadas. Comparei-a às fabulosas Billie Holiday e Nina Simone, lendas do jazz e do blues, ambas negras e já falecidas. Amy é branca. As três são gêmeas de alma.

Dois dos presentes caíram de pau, alegando que se tratava de “uma bêbada e drogada”. Devolvi, querendo saber se já a haviam escutado. Responderam que “não iam perder tempo com uma figura deplorável dessas”.

Chama a atenção nessa estória, o fato de ambos serem empresários, um deles engenheiro e o outro economista.  Isso mostra que também é preciso tomar cuidado para não se ter preconceito às avessas, achar que alguém, por ter nível universitário, dispõe de percepção mais arejada.

Resolvi insistir: “que ameaça a Amy pode representar para vocês? Se ela se droga, a grande vítima é ela mesma. Porém, quando a ouvimos cantar, em vez de qualquer tipo de mal, ela nos proporciona momentos de imenso prazer”.

A partir daí, a discussão se tornou acalorada e, graças às colocações dos dois, pude constatar mais uma vez que o preconceituoso é, acima de tudo, um inseguro, o que ajuda a tornar seus frágeis argumentos, patéticos.

Se você, leitora ou leitor, não liga para essas tolices, vou lhe dar as dicas que não consegui passar para eles.

Como aperitivo, escolhi quatro interpretações de cada uma das ladies.

 

Billie Holiday:

Strange Fruit, Embraceable You, A Fine Romance, Am I Blue?

Nina Simone:

Don’t Smoke In Bed, I Put A Spell On You, Don’t Let Me Be Misunderstood, Ne Me Quitte Pas

Amy Winehouse:

Me & Mr Jones, Back To Black, Love Is A Loosing Game, Just Friends

 

Vale a pena procurar em loja ou na internet e escutar. Se você não abre mão de um drinque, prepare para acompanhar. Mas aviso desde já que não é necessário: as três musas por si só já são inebriantes.

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Volatilidade

3 de Novembro de 2010

A era virtual trouxe inegáveis transformações positivas para o mundo todo. Enumerar seus benefícios seria redundante, uma vez que estão aí presentes em diversos momentos do nosso cotidiano.

Porém, para alguns saudosistas ou digamos, mais “lentos”, deflagrou também a volatilidade que se espalhou pelo chamado mundo real.

Entre os adolescentes surgiu o hábito de “ficar” nas baladas. “Ficam” com um cinco minutos, depois com outro(a) mais cinco minutos e no final dessa verdadeira maratona amorosa, podem ter “ficado” com doze ou quinze, ou vinte. Não digo que isso possa ser bom ou ruim, apenas tomo como um exemplo dos tempos fugazes em que vivemos.

No show business o sucesso dessa semana já não será o da semana que vem.

A rapidez é tanta que não existe a menor preocupação de se compor, por exemplo, uma canção com letra e música bem elaboradas, capaz de emocionar e se perpetuar como mais uma jóia da Música Popular Brasileira.

Na política, o que o presidente declarou agora, no mês que vem ele afirmará o oposto. O inimigo feroz de hoje será o amigo do peito de amanhã. O picareta de ontem é o exemplo de dignidade atual.

No futebol brasileiro, a equipe que começou disputando o campeonato não será a mesma que chegará ao final. Os melhores jogadores terão sido vendidos para o exterior e o técnico, sem qualquer culpa na queda de rendimento do grupo, foi trocado no meio do caminho.

Os ídolos estão acabando. Não há tempo para se estabelecer vínculos afetivos. Quando a torcida começa a se encantar com um craque de seu time, é surpreendida por sua foto no jornal, vestindo a camisa, beijando o escudo de seu novo clube e fazendo juras de amor eterno.

E pensar que esse mesmo jogador marcara um belo gol na semana passada e correra em direção às arquibancadas, parando diante da torcida enlouquecida e, como na foto, beijara o escudo do, agora, seu ex-clube.

E essa velocidade com que as coisas vão mudando, também acelera o quadro de amnésia coletiva que faz com que nos esqueçamos de pessoas ou fatos importantes tanto para o bem quanto para o mal, do passado recente.

Às vezes sinto um pouco de saudades de algumas coisas mais duradouras, com as quais se possa contar ou acreditar. Penso que o ideal seria combinar as vantagens proporcionadas pelo mundo virtual, com os velhos, contraditórios, mas fundamentais sentimentos humanos e seus laços afetivos.

Em determinadas situações da sociedade contemporânea, fica a incomoda sensação de que plantamos árvores sem raízes, as quais, num curto espaço de tempo, estarão secas.

Imparcialidade na Mídia

29 de Outubro de 2010

Uma das qualidades que a maioria dos jornalistas gosta de enfatizar refere-se à postura imparcial, no exercício da profissão. E ninguém pode negar que essa imparcialidade, a franqueza e a ausência de concessões são fatores que dignificam não só essa, como a maioria das profissões. Por outro lado, para a gente que acompanha diariamente as notícias veiculadas na mídia, não há como negar que é muito difícil manter essa postura com 100% de aproveitamento.

Tomemos como exemplo, os colunistas esportivos. É muito comum dedicarem parte de seus artigos para enaltecer os textos de seus colegas. O colunista de quinta-feira elogia a matéria do companheiro de jornal que escreve às segundas. Esse por sua vez cita com admiração o colunista do sábado enfim, estabelece-se um verdadeiro rodízio de loas.

Jamais li um deles criticando o outro, como por exemplo, hipoteticamente, o jornalista Afrânio escrevendo em sua coluna das quartas-feiras, se realmente imparcial fosse: “o meu colega de jornal Aparecido, responsável por esse mesmo espaço aos domingos veiculou um texto sobre a vitória do São Paulo que, sinceramente, me fez morrer de vergonha. Quanta besteira! Como é que pode um profissional especializado, já meio veterano, escrever tanta bobagem? Gosto muito do Aparecido como pessoa, somos amigos há anos, mas cá prá nós, em termos de desconhecimento futebolístico, ele passou dos limites! Que coisa mais horrorosa!”

Ou algo que dizem ocorrer com mais freqüência do que se imagina: “os comentários do Genaro, nosso colega de jornal, não tem qualquer credibilidade, uma vez que ele, como todo mundo sabe, está a serviço do tricolor”.

Alguém já viu ou leu algo parecido com esses comentários em algum veículo? Acredito que não. Mas seria muito saudável se acontecesse, usando os mesmos critérios e a mesma contundência utilizada para, muitas vezes, desancar um jogador ou um árbitro, os quais, mesmo em diversas ocasiões fazendo por merecer, são também profissionais.

A crítica ficaria democratizada com jogadores, árbitros, dirigentes, empresários e jornalistas, todos no mesmo saco, como alvos da própria mídia.

Outro exemplo que chega a ser engraçado acontece num dos maiores jornais do país, no qual a colunista de TV dá notas 0 ou 10 para programas e artistas.

Quase sempre as notas dez contemplam os artistas da Rede Globo e as zero para os das outras emissoras. Afinal, é preciso ter muito peito para criticar os profissionais da empresa que lhe paga os salários e que depende dos números do Ibope.

Mas, se realmente houvesse isenção seria muito interessante ver a colunista escrever: “como são canastrões alguns atores e algumas atrizes da novela das oito, não? E que situações forçadas tem esse enredo, com diálogos artificiais demais, não sei como tem gente que ainda perde tempo diante da TV para assistir a um programa desses”.

Será que a jornalista estaria com seu emprego garantido?

Comédias Inesquecíveis

27 de Outubro de 2010
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Não sei por que cargas d’água, tem um tipo de papo em rodas de chopp que, pelo menos para mim, acontece mais no Rio de Janeiro do que em São Paulo. São aquelas conversas em que cada um dá a sua opinião sobre os dez melhores filmes de todos os tempos, ou as melhores músicas, times de futebol, e assim por diante.

Estive lá na semana passada e como sempre acontece encontrei amigos no Bar Lagoa. De repente, o pessoal sabendo que eu sou absolutamente fascinado por filmes de comédia, me pediu para citar as dez que mais gostei de todos os tempos.

Comecei a puxar pela memória e, de cara, concluí que humor em cinema está cada vez mais raro, com muita escatologia, grosseria e piadas sem graça, principalmente naquele tipo de humor dito colegial.

Tanto que pelo que eu me lembre, a última comédia que eu adorei, chamava-se “Ou Tudo ou Nada”, inglesa e que deve ter passado há mais de oito anos, não me lembro. E agora bem recentemente “Borat” e “Bruno”, ambas com o comediante inglês Sacha Cohen, que muitos acharam o fim da picada, até porque tem também muita escatologia, mas que me proporcionaram grandes gargalhadas.

Além dessas três, fiz uma relação de comédias memoráveis. Vamos a ela, sem respeitar a ordem cronológica: Quanto mais quente melhor, A pantera cor de rosa, Um tiro no escuro, A nova transa da pantera cor de rosa, Um convidado bem trapalhão, O jovem Frankenstein, Primavera para Hitler, Meus caros amigos, Mash, O Incrível Exército Brancaleone, Noivo neurótico, noiva nervosa, Bananas, Annie Hall, Quinteto irreverente, A gaiola das loucas e Priscila a rainha do deserto.

Uma lista com mais de dez filmes e ainda existem muitos outros mais, dignos de registro, porém, esses que elenquei, eu já assisti, no mínimo, três vezes cada um.

Arenas Profissionais

20 de Outubro de 2010
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Diariamente o assunto “Estádios de futebol para a Copa 2014” é abordado pela mídia brasileira. Comenta-se que alguns serão totalmente reformados, outros serão construídos a partir do zero, mas o mais evidente é que a corrida contra o tempo precisa ser acelerada.

Como serão esses estádios? Terão utilidade somente para a Copa e depois dela correm o risco de se transformarem em elefantes brancos?

Se seguirmos alguns exemplos bem sucedidos de clubes europeus, muito pelo contrário, os estádios poderão se transformar em grandes fontes de receitas para seus donos.

Como publicitário e apaixonado por esportes, principalmente futebol, estive recentemente na Alemanha, Bélgica e Inglaterra onde conheci um profissionalismo que ainda não chegou por aqui. Visitei empresas de todas as especialidades para a construção completa de uma arena esportiva. Desde fabricante de grama sintética (e natural também), até especialistas em sistemas de segurança, telões, painéis luminosos, coberturas, unidades móveis de televisão, máquinas de bebidas geladas e diversas outras.

Em Gelsenkirchen, Alemanha, visitei o estádio do clube Shalke 04, em Bruxelas o Anderlecht e, em Londres, Wembley e Arsenal.

Em cada um permaneci cerca de uma hora e meia, inteirei-me de todos os detalhes, desde construção, instalações e equipamentos até as ações de marketing. Tudo perfeito, organizado, limpo, sincronizado.

Os europeus conseguem fazer dinheiro com todas as oportunidades que uma arena pode oferecer, além das partidas de futebol. Para começar, o que se chama de “naming rights”, ou seja, o nome da arena é negociado a uma média de R$ 50 milhões anuais. Isso é o que uma empresa paga para dar ao estádio, o seu nome.

Mega-shows, campeonatos de basquete, atletismo, patinação, tudo o que é possível se fazer em termos de show-business, essas arenas fazem. E arrecadam muito com isso.

Restaurantes e bares impecáveis também fazem parte desse próspero cardápio de ofertas para o torcedor.

Curiosamente, no dia de minha visita à Wembley, em determinado momento, o alto-falante passou a solicitar, intermitentemente, que as pessoas deixassem imediatamente o estádio.

Atendemos à determinação, porém, quando havíamos acabado de sair, recebemos a contra-ordem para voltar, pois, o problema já havia sido resolvido.

Tratava-se de um alarme falso sobre uma bomba escondida nas dependências da arena.

Retornei, mas não pude deixar de pensar: nem tudo é perfeito.

Correr faz muito bem

15 de Outubro de 2010

Comecei a praticar corrida há 35 anos. Naquela época eram poucos os adeptos desse esporte, tanto que quem corria pelas ruas era observado com certo espanto e, não raro, era obrigado a escutar os ocupantes de algum carro berrar piadinhas do tipo: “ volta prá casa, ô maluco!”

Hoje existem milhões de praticantes e diversas provas espalhadas pelo Brasil, com as mais variadas distâncias. Gosto muito das de 10 km e procuro me inscrever em quase todas que acontecem em São Paulo e algumas no Rio. Meu objetivo é sempre completar as provas em 68 minutos, praticamente o dobro do tempo dos primeiros colocados. Optei, desde jovem, por correr devagar.

São inúmeros os benefícios que a prática da corrida me proporciona: muito mais disposição, maior produtividade no trabalho, relaxamento físico e mental e bom humor. Além disso, raramente sinto problemas de saúde, no máximo uma ou outra gripe sem gravidade. A vida ganha bastante em qualidade física e mental. Evidentemente que o aspecto sexual também é beneficiado e a explicação é fácil: remédios como o Viagra, estimulam a circulação sanguínea, coisa que a corrida também faz, só que de maneira natural.

Como publicitário preciso criar campanhas e nem sempre a inspiração chega com facilidade. Por diversas vezes o “estalo” (ou, como preferem alguns, o “insight”) aconteceu durante minha corrida matinal, trazendo a tão ansiada solução.

Quando viajo, levo sempre um par de tênis na mala. Assim, além de praticar o esporte, aproveito para conhecer melhor as cidades.

Tenho companheiros de longa data que levam vida sedentária, fumam e bebem com se ainda estivessem na flor da juventude, uma época em que nos julgávamos onipotentes.

Os encontros com eles estão se tornando cada vez mais desagradáveis, parecendo papo de carpideiras, cada um contando um problema de saúde maior do que do outro. Falam como se fossem vítimas do destino.

Como se o sedentarismo, o álcool e o fumo, aliados ao peso da idade, não tivessem qualquer influência na situação de cada um.

Minha recomendação aos meus eventuais leitores, tanto os homens, quanto as mulheres: se querem viver com mais saúde e alegria, consultem o médico, façam um check-up e comecem a correr.

Dois Toques

13 de Outubro de 2010

Plano de saúde

Minha mãe mora no Rio de Janeiro e veio passar alguns dias conosco. Aos 88 anos, é extremamente lúcida e ativa. Por infelicidade, levou um tombo no jardim de minha casa e fraturou o fêmur.

Levei-a imediatamente ao hospital mais próximo, o Metropolitano, recém comprado pela Amil e que mantém convênio com seu (dela) plano de saúde. Mamãe tem o plano Unimed Rio Nacional Especial Plus, um nome pomposo e que, de acordo com o contrato, dá cobertura para apartamentos em hospitais, cirurgias, exames, etc..

Porém, não é tão fácil assim. Prá começar, minha mãe ficou, com o fêmur fraturado, das 11hs às 17 hs, aguardando a aprovação por parte da Unimed, que nos informou que apesar dela possuir o Unimed Nacional, aqui em SP quem faz o intercâmbio com a do Rio é a Unimed Paulistana. Eu não poderia imaginar que a nossa tortura estava apenas começando.

Quando finalmente decidiram tratá-la, colocaram-na num quarto de enfermaria com duas camas, embora ela tivesse direito a apartamento.

Para a cirurgia e os procedimentos que a antecedem era também necessário, a autorização da Unimed. Não basta contrato, carteirinha e mensalidades em dia.

Para abreviar, já que são tantos absurdos, depois de brigar muito com a Unimed Rio, a Unimed Paulistana e o Hospital Metropolitano, somente três dias depois eu consegui fazer valer os direitos e instalá-la num apartamento. Hoje, passados cinco dias desde o acidente, finalmente ela será operada.

Para isso, eu tive que assinar um termo de responsabilidade, já que segundo eles a Unimed ainda não aprovou, “devido ao final de semana que atrapalhou os trâmites burocráticos”.

E eu falei ao telefone com a Unimed Rio que me confirmou o que está em contrato, que minha mãe tem todos esses direitos. E não adianta você perguntar por que cargas d’água, essa tal de liberação não sai imediatamente, pois, uma unidade empurra para a outra a responsabilidade do atraso.

O único ponto positivo disso tudo é que o atendimento por parte de médicos e enfermeiros é muito bom.

Quanto ao plano de saúde, deveria se chamar plano de insanidade, um verdadeiro desrespeito aos direitos do associado.

Aborto

Por falar em desrespeito, essa discussão oportunista sobre a questão do aborto entre Serra e Dilma beira às raias do abominável. O eleitor é tratado como idiota, como se os candidatos estivessem sendo realmente sinceros em suas posições. Um tema extremamente relevante, que jamais poderia ser abordado levianamente, apenas com o objetivo de angariar votos. Lamentável sob todos os pontos de vista.