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Mulheres independentes

23 de Novembro de 2010
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Ultimamente tem-se discutido pela mídia a questão da felicidade da mulher. E algumas colocações são bastante preocupantes, representam um perigoso retrocesso ao defenderem a tese de que, antigamente, ela era mais feliz. Segundo tais opiniões, ao entrar no mercado de trabalho ela acaba absorvendo as mesmas responsabilidades e, portanto, os mesmos problemas que os homens enfrentam há séculos. Com a agravante de que, se tiver filhos, terá preocupações dobradas. Argumentam ainda que as solitárias encontram dificuldades para conquistar um bom companheiro ou, mais romanticamente, um amor. Defendem ainda que os homens não toleram mulheres independentes, ficam assustados, sentem-se ameaçados e fogem delas.

Daí, chegamos à conclusão de que lugar de mulher é em casa, cuidando dos filhos e do maridão, cozinhando e passando roupa. Supõe-se que tenha máquina de lavar, mas, se não tiver, deixa que ela, perfeita, cuida disso. Então, sob tal ponto de vista, essa mulher é que é feliz. O velho samba dizia que a Amélia é que era a mulher de verdade. Mas não esclarecia se ela era feliz.

Francamente, a essa altura do campeonato, já entrando no ano de 2010, é difícil admitir que uma pessoa que necessite reprimir-se profissional e socialmente para “laçar” um companheiro, que viva em função de adequações e conveniências esquecendo-se de que tem vida própria e liberdade para escolher seu próprio rumo, sinta-se feliz.

Evidentemente que se uma mulher tiver a possibilidade de optar entre trabalhar fora ou cuidar de casa e escolher essa última, certamente terá mais condições de se realizar do que aquela que foi obrigada a dedicar sua vida ao lar, apenas para manter a harmonia no casamento. Ser “apenas” dona de casa deveria ser uma opção, jamais obrigação.

Por outro lado, existe um grupo que vem crescendo bastante nos últimos anos, formado por homens que adorariam se tornar donos de casa, incumbindo-se de todos os afazeres domésticos. Durante o dia o maridão daria duro na faxina, no fogão, no tanque, levaria e pegaria as crianças no colégio.

À noite, banhinho tomado, arrumado e cheirosinho esperaria a amada para o jantar, sempre com um sorriso e uma saborosa surpresa gastronômica.

Mais tarde, sob os lençóis, se a esposa se aproximasse dengosa e ele, exausto devido à árdua labuta doméstica, recusasse com o clássico “Mô, estou morrendo de dor de cabeça”, ela simplesmente teria que aceitar e se contentar em assistir sozinha ao VT de São Paulo e Palmeiras, enquanto ele permaneceria ressonando profundamente no travesseiro ao lado.

Em suma, a tal da felicidade é uma tremenda loteria.

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