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Mudança – Troféu Narciso

26 de Janeiro de 2011

Olá!

Você, que acompanha o Troféu Narciso, aqui no blog Sem Direção, fique atento: a partir da próxima rodada, o Troféu será publicado no blog do Gillus Boccattus (www.gillusboccattus.wordpress.com)!

E não se esqueça de acompanhar o Twitter do Gillus: @gillusboccattus

Participe do Troféu Narciso! Envie sua sugestão para fernanda@bee.com.br ou via Twitter!

Sob a luz dos holofotes

10 de Dezembro de 2010

Muita gente que acompanha pela mídia a vida das celebridades acaba achando que tudo que eles fazem é perfeito. São figuras acima do bem e do mal, proprietários da chave do castelo onde mora a felicidade.

Porém, se a gente prestar atenção vai concluir que, com o objetivo de atrair a luz dos holofotes para si, elas são capazes de protagonizar cenas antológicas de ridículo.

Há uns anos atrás, por exemplo, o Michael Douglas se internou em uma clínica de recuperação para viciados em sexo. Quer dizer, numa época em que muita gente reclama da falta de interesse sexual do parceiro, o Michael é tão fogoso que precisou se internar para frear sua libido absurda. Dá prá acreditar nisso?

Agora é Mick Hucknall do Simply Red que vem a público “pedir perdão às mais de mil mulheres com as quais transou”. Disse que se envergonha de ter sido durante esses anos todos, “um fauno incontrolável”.

Fácil perceber que a verdadeira intenção dele é contar vantagem, mostrar ao mundo que é um garanhão impressionante. Porém, esquece de que existe a possibilidade das pessoas interpretarem isso como ele sendo muito ruim de cama e, por ter decepcionado às tais mais de mil mulheres, fez um mea culpa e decidiu pedir perdão a todas pelos péssimos momentos que lhes proporcionou.

Agora quem surpreende, embora de outra maneira, é o Eike Batista, o magnata carioca, um dos homens mais ricos do mundo, verdadeiro rei Midas, fazendo virar ouro em tudo que toca, além de ser ex-marido de Luma de Oliveira, uma das mais mulheres mais desejadas do país até poucos anos atrás.

E não é que esse mesmo Eike, um homem riquíssimo, esperto, inteligente, vitorioso, resolveu adotar de um mês prá cá uma franjinha alisada sobre a testa?

Às vezes parece peruca e, às vezes, parece alisamento. Qualquer que seja a hipótese, a franjinha fica estranha, gritante.

Será que o Eike não tem um personal stylist capaz de lhe dar um toque, mostrar que, em vez de ter se tornado um gato, está é pagando um tremendo mico? Vai se entender a cabeça das celebridades.

Virando casaca

2 de Dezembro de 2010

Outro dia saiu nos jornais um comentário do presidente Lula, sobre essa infeliz novidade dos torcedores torcerem contra seu próprio time visando impedir uma possível ascensão de um time rival, na tabela do campeonato.

Realmente é uma triste moda. Foi uma lástima assistir a alguns torcedores do Palmeiras jogando objetos sobre o goleiro Deola, simplesmente porque ele estava honrando a camisa que vestia e, principalmente, seu próprio caráter, praticando grandes defesas e procurando impedir a vitória da equipe carioca.

Há alguns anos atrás diríamos que tais cenas seriam impossíveis.

Lula disse estranhar e não concordar com esse tipo de atitude.

Porém, tenho minhas dúvidas se o nosso próprio presidente não teve, ainda que indiretamente, uma colaboração efetiva para que tais fatos acabassem se tornando deplorável realidade.

Afinal esses mesmos jovens torcedores pertencem a uma geração que vem aprendendo, diariamente, através de exemplos de figuras públicas, que os resultados devem ser alcançados a qualquer preço e a ascensão dos adversários precisa ser impedida de qualquer maneira.

Não há dúvida de que o presidente Lula teve inúmeros méritos durante os oito anos em que comandou esse país, aproximando-se do povão e resgatando o orgulho de ser brasileiro.

E é exatamente por isso, por ter conseguido receber os mais altos índices de aprovação popular que esse país já viu, que ele deveria ter se conscientizado de sua influência sobre as camadas mais pobres da sociedade, incluindo aí os jovens, que se espelham no comportamento dos vencedores.

Aparecer abraçado, apoiando diversas figuras manjadas que pouco tempo antes ele mesmo, junto com a maioria da população repudiava, foi um choque para muita gente, ainda mais que Lula foi eleito da primeira vez porque prometia algo novo, o avesso daquilo com que convivíamos.

E a sua forma de agir pode ter resultado numa visão distorcida por parte dos jovens quando se trata de alcançar objetivos.

Lula deve se preparar para, daqui prá frente, assistir às cenas de torcedores do seu Corinthians comemorando os gols dos adversários, vibrando com as próprias derrotas e beijando os escudos dos rivais.

Violência contra homossexuais

30 de Novembro de 2010

Posso dizer que sou um sujeito feliz por ter uma lista extensa de amigos, alguns dos tempos de colégio, outros da faculdade e outros provenientes de minha vida adulta entre Rio de Janeiro e São Paulo.

E mais feliz fico em saber que eu e minha família podemos contar, incondicionalmente, com pelo menos uns vinte, os chamados amigos do peito.

E entre esses, quatro são gays.

Não sei se você, leitor, tem amigos gays. Também não sei se o fato da pessoa ser homossexual é motivo impeditivo para desfrutar de sua amizade.

Se for, lamento, mas você precisa meditar sobre essa questão e descobrir o que o leva a pensar assim.

As constantes notícias veiculadas na mídia, denunciando as mais torpes violências contra homossexuais, foram mais uma vez postas em evidência com os atos praticados por três rapazes militares no Rio de Janeiro contra um jovem desarmado que, após ser covardemente agredido e cair ao chão, levou um tiro na barriga.

Nem vamos analisar a brutalidadeda ação, pois, uma das principais características de todas as espécies de crimes ocorridos nos dias de hoje é a crueldade com que são praticados.

Com relação ao assunto desse artigo, é difícil compreender porque um homossexual deve (por uma parte da população) ser encarado e tratado como um delinquente, ou portador de doença infecto-contagiosa.

De que maneira, ele pode interferir na sua vida ou na minha, caro leitor?

O que ele ou qualquer um faz entre quatro paredes é assunto privado e não prejudica a vida de ninguém.

Tenho grandes amigos homossexuais que frequentam a minha casa e recebem de minha parte, minha mulher e meus filhos todo o carinho que deve ser dedicado àqueles que nos são caros.

Na minha modesta opinião, os grandes inimigos da sociedade são representados pelos maus caráteres, os maus políticos,os pedófilos, os assassinos, os espancadores de mulheres, os “portadores de preconceitos” e todos os demais da mesma laia.

E esses tipos de ervas daninhas existem em qualquer raça, cor, religião ou sexo.

Alarmante nisso tudo é o fato de que a maioria das manifestações e crimes homofóbicos é praticada por jovens, prova cabal de que a insanidade vem sendo herdada pelas novas gerações e o preconceito está muito longe de desaparecer.

Estaremos nos tornando replicantes?

25 de Novembro de 2010

Não sou dos mais entusiasmados por ficção científica, mas gostei bastante de Blade Runner, considerado por muitos como uma das melhores fitas do gênero.

Havia no filme personagens denominados replicantes, espécies de robôs idênticos aos seres humanos, capazes de enganar a todo mundo. Tinham tudo igual, mas eram desprovidos de sentimentos.

Tenho me lembrado constantemente dessas figuras devido ao comportamento cada vez mais gélido das pessoas, diante dos maiores absurdos.

Na semana passada, por volta das nove horas da noite de um sábado na rua Haddock Lobo, próximo à Lorena e, diante de várias pessoas, entre elas clientes, manobristas e  seguranças dos restaurantes, um casal amigo foi abordado por um marginal de revólver em punho exigindo relógio, carteira, bolsa, etc.

Ninguém moveu uma palha, era como se a cena não existisse. E continuou sem existir mesmo depois do assaltante ter ido embora.

Além de Blade Runner tem-me vindo à mente duas extraordinárias composições, sendo uma de Chico Buarque “Construção” e outra de João Bosco e Aldir Blanc, “De frente pro crime”. A primeira diz que o operário (que em versão contemporânea poderia ser representado por um moto-boy) “morreu na contramão atrapalhando o tráfego”

e a outra que “tá lá o corpo estendido no chão…veio o camelô vender anel, cordão, perfume barato, baiana prá fazer pastel e um bom churrasco de gato”.

Ambas ressaltam a banalização da vida, embora, naquela época, os crimes fossem mais raros e a crueldade bem menos presente.

Hoje, apesar de nosso tão decantado desenvolvimento, a situação dá a impressão de estar fora de controle e, que me perdoem os paulistas, a incidência de assaltos em São Paulo parece estar maior do que no Rio. A diferença é que o Rio é menor e a divulgação do que lá acontece, ecoa com mais estardalhaço. Porém, vários amigos que, como eu, transitam entre as duas cidades já foram assaltados na capital paulista e, na capital fluminense, não.

O que nós, das gerações mais velhas, ainda podemos fazer para encontrar a saída? Será melhor jogar a toalha? Estaremos para sempre em sinuca de bico?

Enquanto não conseguimos as respostas, as novas gerações vão aprendendo a viver, nesse estado de coisas, com a naturalidade de quem não conheceu outra realidade.

E todos nós seguimos sublimando nossas emoções, reprimindo nossas reações, desviando o olhar, tapando os ouvidos, prendendo a respiração, vestindo a carapuça, transformando-nos pouco a pouco nos replicantes de Blade Runner.

Mulheres independentes

23 de Novembro de 2010
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Ultimamente tem-se discutido pela mídia a questão da felicidade da mulher. E algumas colocações são bastante preocupantes, representam um perigoso retrocesso ao defenderem a tese de que, antigamente, ela era mais feliz. Segundo tais opiniões, ao entrar no mercado de trabalho ela acaba absorvendo as mesmas responsabilidades e, portanto, os mesmos problemas que os homens enfrentam há séculos. Com a agravante de que, se tiver filhos, terá preocupações dobradas. Argumentam ainda que as solitárias encontram dificuldades para conquistar um bom companheiro ou, mais romanticamente, um amor. Defendem ainda que os homens não toleram mulheres independentes, ficam assustados, sentem-se ameaçados e fogem delas.

Daí, chegamos à conclusão de que lugar de mulher é em casa, cuidando dos filhos e do maridão, cozinhando e passando roupa. Supõe-se que tenha máquina de lavar, mas, se não tiver, deixa que ela, perfeita, cuida disso. Então, sob tal ponto de vista, essa mulher é que é feliz. O velho samba dizia que a Amélia é que era a mulher de verdade. Mas não esclarecia se ela era feliz.

Francamente, a essa altura do campeonato, já entrando no ano de 2010, é difícil admitir que uma pessoa que necessite reprimir-se profissional e socialmente para “laçar” um companheiro, que viva em função de adequações e conveniências esquecendo-se de que tem vida própria e liberdade para escolher seu próprio rumo, sinta-se feliz.

Evidentemente que se uma mulher tiver a possibilidade de optar entre trabalhar fora ou cuidar de casa e escolher essa última, certamente terá mais condições de se realizar do que aquela que foi obrigada a dedicar sua vida ao lar, apenas para manter a harmonia no casamento. Ser “apenas” dona de casa deveria ser uma opção, jamais obrigação.

Por outro lado, existe um grupo que vem crescendo bastante nos últimos anos, formado por homens que adorariam se tornar donos de casa, incumbindo-se de todos os afazeres domésticos. Durante o dia o maridão daria duro na faxina, no fogão, no tanque, levaria e pegaria as crianças no colégio.

À noite, banhinho tomado, arrumado e cheirosinho esperaria a amada para o jantar, sempre com um sorriso e uma saborosa surpresa gastronômica.

Mais tarde, sob os lençóis, se a esposa se aproximasse dengosa e ele, exausto devido à árdua labuta doméstica, recusasse com o clássico “Mô, estou morrendo de dor de cabeça”, ela simplesmente teria que aceitar e se contentar em assistir sozinha ao VT de São Paulo e Palmeiras, enquanto ele permaneceria ressonando profundamente no travesseiro ao lado.

Em suma, a tal da felicidade é uma tremenda loteria.

Momentos que não tem preço

19 de Novembro de 2010
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Tenho um querido amigo de infância que virou um irmão, o Zagari, carioca como eu, que também reside em São Paulo há mais ou menos três décadas. Nossa amizade permanece igual aos tempos de colégio. Ele tem como hobby gravar músicas garimpadas na internet, na sua quase totalidade, lançadas entre os anos 30 e 70. Sabendo que eu também adoro música, volta e meia me presenteia com CDs, invariavelmente, excepcionais. Tenho mais de 120 CDs gravados por ele, com músicas nacionais e internacionais das quais eu faço uma seleção e passo para o meu IPod, para escutar durante minhas corridinhas matinais. Entre as canções nacionais, existem várias do tempo dos meus pais e que são verdadeiras relíquias, como por exemplo:

Minha Embaixada chegou, com Carmen Miranda;

 

Tenha pena de mim, com Aracy de Almeida;

 

Estás no meu caderno, com Mário Reis;

 

Onde o céu é mais azul, com Titulares do Ritmo;

 

Seu Libório, com Vassourinha;

 

Nega Maluca, com Linda Batista;

 

Deixa essa mulher prá lá, com Ataulfo Alves

e mais uma infinidade de pérolas iguais a essas. Entre as estrangeiras, gravações surpreendentes como In the still of the night, na voz do ator Kevin Kline; My funny Valentine, com Rachelle Ferrell; You’re the top, com Carmen McRae e Sammy Davis Junior; All my tomorrows, com Mathilde Santing, Cry me a river, com Etta James; The lady is a tramp, com Sophie Tucker, e vai por aí a fora, ultrapassando as duas mil gravações, sendo muitas vezes uma mesma canção gravada por mais de cinco intérpretes diferentes. Toda a época da Jovem Guarda também está catalogada com canções como Doce de coco e O bom rapaz, com Wanderley Cardoso; Pare o casamento, com Wanderléa; Vem quente que eu estou fervendo e Minha fama de mau, com Erasmo Carlos; Quero que vá tudo para o inferno e O Calhambeque, com Roberto Carlos; O bom, com Eduardo Araújo, Vieram me contar, com Martinha, Tijolinho, com Bobby di Carlo, enfim, o repertório completo. Mesmo os considerados mais “cafonas” por alguns, como Orlando Dias (que cantava com um lenço para enxugar as próprias lágrimas durante as interpretações), Odair José (Eu vou tirar você desse lugar e Pare de tomar a pílula), Anísio Silva (Alguém me disse), Waldick Soriano (Eu não sou cachorro não!) estão na seleção do meu IPod, uma vez que sempre curti a cafonice.

Recomendo a quem puder: experimente começar o dia com uma hora de corrida ou caminhada e depois vinte minutos de alongamento, escutando as canções que você curte. É a melhor receita para combater o stress e atrair o bom humor.